a moça
as mãos
roça
coração
coça
amor é
troça
Um vazio profundo, portanto, se estiver procurando algo, pule para o próximo blog.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Pedra
Uma pedra de gelo.
Formas de mulher.
Uma mulher estátua.
Imóvel e impassível.
Aguarda o sopro.
Divino sopro de vida.
Serena e gelada.
Espera secreta luz.
Centelha de fogo.
Sublime supremo calor
...
Pedra de gelo estátua dura de mulher
Gelada fria imóvel e impassível
Espera impossível o supremo sopro
Sublime divina centelha de fogo
E gozo de luz e calor que derrete
A estátua que sua nua e crua
Sob a lua luz da rua sua tua.
sábado, 21 de novembro de 2009
vazios suspensos
sobre os vazios suspensos
no ar
voejamos
moscas
soltas
doudas
nada a pensar nem a fazer
voejamos
luz na poeira
doira
sujeira
solta
no ar
sobre os vazios suspensos
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
por isso
desejo paz de espírito
por isso
não me aponte este fuzil
por isso
não me pegue em delito
por isso
querer semi-automático servil
por isso
te evito
vício
terça-feira, 17 de novembro de 2009
testamento
todos
os meus
pedaços
te deixo
minha malfadada herança
roça sem pejo
os teus pelos menos
te oferecendo
te negando
te controlando
com parcimoniosa
selvageria
os fluxos de desejo
por um corpo despedaçado
os meus
pedaços
te deixo
minha malfadada herança
roça sem pejo
os teus pelos menos
te oferecendo
te negando
te controlando
com parcimoniosa
selvageria
os fluxos de desejo
por um corpo despedaçado
domingo, 15 de novembro de 2009
Chá
tome um chá
para se acalmar
não fique nervosa
que isso te faz mal
não tire as roupas do armário
fique
nada aconteceu de verdade
foi só nossa imaginação
não te acusamos de má
não queremos que vá
te perseguimos sim
porque é amor
o que sentimos
por favor não fuja
fique
tome um chá
para se acalmar
...
gosto de chá
em belas xícaras
brancas
com pequenos desenhos
flores vermelhas
mansas
em belas xícaras
brancas
gosto de chá
em canecas antigas
esmaltadas
canecas de casa de vó
gosto de chá
adocicado com amor de vó
de voz docinha
dizendo
não fica nervosa
que te faz mal
tome um chá
para se acalmar
fique
para se acalmar
não fique nervosa
que isso te faz mal
não tire as roupas do armário
fique
nada aconteceu de verdade
foi só nossa imaginação
não te acusamos de má
não queremos que vá
te perseguimos sim
porque é amor
o que sentimos
por favor não fuja
fique
tome um chá
para se acalmar
...
gosto de chá
em belas xícaras
brancas
com pequenos desenhos
flores vermelhas
mansas
em belas xícaras
brancas
gosto de chá
em canecas antigas
esmaltadas
canecas de casa de vó
gosto de chá
adocicado com amor de vó
de voz docinha
dizendo
não fica nervosa
que te faz mal
tome um chá
para se acalmar
fique
sábado, 14 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Mais uma boa experiência de leitura
Comprei A relíquia na rua de um ambulante que estava vendendo livros usados no chão. Encontrei entre tantas inúteis enciclopédias antigas e desatualizadas esse Eça de Queiroz e fiquei feliz em pagar por ele a bagatela de 2 reais. Claro que o vendedor não sabia que eu estava comprando ouro com dinheiro de comprar balinha. Mas tudo bem, nós dois ficamos felizes. Ele porque vendeu e eu porque comprei um bom livro quase de graça.
Conhecia A relíquia de nome por causa do Antonio Candido que sempre citou Eça como um de seus autores portugueses preferidos. Com esse respaldo altivo, levei o romance para casa e mal consegui esperar o momento feliz de abrir suas páginas e começar a leitura. E ele não me decepcionou. É um livro realmente incrível, escrito com toda a ironia possível e muito engraçado.
O protagonista se chama Teodorico Raposo. O moço português fica orfão muito criança ainda e é criado por uma tia muito rica e beata, a Titi. Todos procuram agradar Titi, por conta de sua riqueza e Teodorico não fica atrás. Passa o livro todo vivendo duas vidas: uma diante da tia, de muita devoção e sacrifícios em nome da fé, e outra longe dela, na qual recebe a alcunha de Raposão e é um devasso completamente entregue aos prazeres do mundo. Teodorico espera muito ansiosamente a morte da Titi, pois assim se livrará da vida de devoto e como herdeiro poderá gastar todo o dinheiro da velha nas suas aventuras de rapaz.
O que acontece é que Titi demora a morrer e estando doente resolve enviar o sobrinho Teodorico à terra santa para lhe trazer uma relíquia capaz de melhorar a saúde. O sobrinho vai, exultante diante da tia pela possibilidade de conhecer a terra onde Jesus nasceu, e muito infeliz longe dela já que sua verdadeira vontade era conhecer Paris, terra mais livre onde jovens como ele poderiam conhecer todo o tipo de prazeres e relaxações conhecidos.
A viagem como se pode imaginar é para Raposão uma oportunidade de desfrutar do dinheiro da tia, longe dela. Ele encontra lá os seus prazeres pelo caminho, especialmente com Mary, uma luveira muito bonita, e dela ganha uma camisola como lembrança, guardada com muito carinho e saudades das relaxações experimentadas ao lado dessa moça de braços gordinhos. Ao chegar em Jerusalém percorre-a ao lado de Topsius um companheiro de viagem muito estudado que aí está para estudar a história do rei Herodes. Estranhamente, um dia, ambos acordam nos tempos de Jesus e são testemunhas oculares da condenação e crucificação do rabi. Claro que descobrem os segredos que não estão no novo testamento sobre como o Messias era também devasso e se deitava com todas as mulheres das quais se agradava, e como a ressurreição na verdade era apenas uma tramóia, entre outras revelações bastante estranhas e engraçadas. Uma passagem do livro interessantemente "pós" moderna, já que se trata de uma paródia da história bíblica, contada com muito humor e crítica.
No final, já de volta a seu tempo e a seu Portugal, Teodorico comete um erro fatal para suas ambições de herdeiro. Entrega a Titi a relíquia errada, no lugar da falsa cruz de espinhos que trouxera da terra de Jesus, entrega a camisola de Mary, sua lembrança dos amores mundanos e dos momentos de pecado vividos durante a viagem. Titi fica furiosa e expulsa de casa o sobrinho. Este, deserdado, passa a viver uma vida bem distante da sonhada, mas agora livre da hipocrisia a que se via obrigado anteriormente.
O resumo acima obviamente não faz juz a narrativa de Eça. O autor tem um ritmo de escrita e uma fina ironia que o faz merecer o título de grande mestre da literatura portuguesa. E eu me diverti muito com esta leitura. A crítica à igreja católica e à fé falsa do povo não me passaram despercebidas, mas o que mais me divertiu foi o fato de o livro tratar de maneira tão "pós-modernista" o tema da paródia. É um livro do século XIX, realista, e ainda assim traz elementos muito atuais, e que são tratados como novidade nos dias de hoje. As novidades de hoje são muitas, mas nem sempre são mesmo novidades...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O que fazer?
Quando não há
graça e sentido,
Quando não há
razão e motivo,
Quando não há
nada a dizer
ou sentir,
O que fazer?
Calar-se...
graça e sentido,
Quando não há
razão e motivo,
Quando não há
nada a dizer
ou sentir,
O que fazer?
Calar-se...
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