Uma miragem
faz o deserto
parecer bonito.
Uma realidade
faz a miragem
mais distante.
A miragem é
uma ilusão
úmida.
A realidade é
a secura
deserta.
Num dia seco
a chuva chega
de surpresa.
E, então,
miragem e realidade
se misturam.
E vem enchente,
e vem desastre
e vem a encosta
de encontro com a gente.
E realidade úmida
faz dar saudade
da realidade ampla
e seca do deserto.
Um vazio profundo, portanto, se estiver procurando algo, pule para o próximo blog.
sábado, 10 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Nem uma
Nenhuma nuvem no céu
Nenhuma vontade de levantar da cama
Nenhuma razão de viver
Por que não dormir para sempre?
Nenhuma vontade de levantar da cama
Nenhuma razão de viver
Por que não dormir para sempre?
domingo, 28 de março de 2010
Confusão
É essa confusão que me incomoda.
O dia e a noite se assemelham.
A vida e a morte tem os mesmos efeitos.
Aquilo que amo é o mesmo que não amo.
Mas é só essa confusão que me incomoda.
Nada é para sempre.
Mas às vezes demora, às vezes dói.
Nada é para sempre.
É o que me consola.
Se às vezes choro, também às vezes rio.
Nada é para sempre.
Muitas vezes passa, muitas vezes atropela.
É a vida que me afoga.
Tinha de ser assim.
Mas podia ser de outro jeito.
Mas não foi de outro jeito.
E me afoga.
E tudo o que me incomoda é essa confusão.
O dia e a noite se assemelham.
A vida e a morte tem os mesmos efeitos.
Aquilo que amo é o mesmo que não amo.
Mas é só essa confusão que me incomoda.
Nada é para sempre.
Mas às vezes demora, às vezes dói.
Nada é para sempre.
É o que me consola.
Se às vezes choro, também às vezes rio.
Nada é para sempre.
Muitas vezes passa, muitas vezes atropela.
É a vida que me afoga.
Tinha de ser assim.
Mas podia ser de outro jeito.
Mas não foi de outro jeito.
E me afoga.
E tudo o que me incomoda é essa confusão.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Sem título
para o teu olhar
que me acaricia nua
uma lua nasce ardente
para o teu amor
em mim revolto
as estrelas ondeantes
para a sensação
que tudo volta
a ser como dantes
uma melodia voa
velada e veludosa
aos ouvidos amantes
que me acaricia nua
uma lua nasce ardente
para o teu amor
em mim revolto
as estrelas ondeantes
para a sensação
que tudo volta
a ser como dantes
uma melodia voa
velada e veludosa
aos ouvidos amantes
segunda-feira, 15 de março de 2010
Tuas Mãos
tuas mãos macias
me traçam sentidos
meu corpo é a invenção
dos teus dedos
passeando nos interditos
o que me faz rente
a uma tua caligrafia
feita a dente
lábios línguas
e imaginação
são reais apenas as tuas mãos macias
que traçam linhas de fuga
vislumbre vermelho
do amor
me traçam sentidos
meu corpo é a invenção
dos teus dedos
passeando nos interditos
o que me faz rente
a uma tua caligrafia
feita a dente
lábios línguas
e imaginação
são reais apenas as tuas mãos macias
que traçam linhas de fuga
vislumbre vermelho
do amor
sexta-feira, 12 de março de 2010
Gostaria
Gostaria de fazer-me monja. Entrar para o convento das carmelitas descalças e obrigar-me ao voto de silêncio. Fazer-me muda por sabor da vontade e usar a voz apenas para o canto suave da morte.
Gostaria de internar-me num mundo de sonhos onde o nada agradável como sempre nos envolva literariamente. Perder-me de mim em cima do dorso de um belo cavalo branco em estradas amargas.
Gostaria de encontrar-me com a Chuva. Dialogar com a umidade das vias em desuso e senti-las de dentro e só. Soltar-me de amarras terrenas e flutuar de encontro às nuvens cinza pesadas que deságuam por mim.
Gostaria de derramar-me em flocos de neve, leve e branca e fria. Apagar as ardências de um corpo que não se move, corcoveia. Mover-me como um sopro sobre os campos e varrer os altos cumes das montanhas em carícia eterna.
Gostaria de não ser por um instante e encontrar-me logo em seguida em êxtase, nirvana, confusamente ligada em arcos com a vida e a não vida. Despejar-me delicadamente sobre o que me desperta fome profunda.
Gostaria de atar-me em fios aos laços etéreos da arte desestabilizadora do amar. Desprender-me os seios livres em voo supremo sobre os sóis brilhantes do cosmo infinito.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Sem título
Faz sol lá fora
mas aqui dentro
chove
mas aqui dentro
chove
O calor é intenso
mas sem efeito
no meu
peito
O gelo
que me pela
(de frio)
mora neste receio
No meu seio
no meu centro
onde jorra
amor
Chove e resfria
no meu medo
que antecipa
seu efeito
desvasta
dor
terça-feira, 9 de março de 2010
por muito pouco
louca
por muito te amar
e desejar
(eu fico louca)
por pouco te ter
e te ver
(não) me jogo
(nem) extrapolo
meu amor
sobre
o teu
louca
(eu fico louca)
por muito pouco
não me esparramo
e me emaranho
meu cio
sobre
teu
por muito te amar
e desejar
(eu fico louca)
por pouco te ter
e te ver
(não) me jogo
(nem) extrapolo
meu amor
sobre
o teu
louca
(eu fico louca)
por muito pouco
não me esparramo
e me emaranho
meu cio
sobre
teu
quinta-feira, 4 de março de 2010
Amar
na essência da palavra
a ressonância do voo
verbo asa
pousa passarinhando
nas ausências
atravessa sem tocar
as reentrâncias da pele
onde faz falta
o teu falar
desliza entre
mergulha no silêncio
afunda dentro
deste mar
prolonga este amar
porque pássaro
tudo é possível
na aurora rósea
das pétalas
aladas abertas
secretas
onde sangra
o impossível
luar
a ressonância do voo
verbo asa
pousa passarinhando
nas ausências
atravessa sem tocar
as reentrâncias da pele
onde faz falta
o teu falar
desliza entre
mergulha no silêncio
afunda dentro
deste mar
prolonga este amar
porque pássaro
tudo é possível
na aurora rósea
das pétalas
aladas abertas
secretas
onde sangra
o impossível
luar
segunda-feira, 1 de março de 2010
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