Em que parte
Do meu coração
Você se esconde?
Um vazio profundo, portanto, se estiver procurando algo, pule para o próximo blog.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Saudade
Porque metade de mim é saudade
Seu nome clareia no alto do meu céu
Como o sol
Aparecendo depois de semanas
De chumbo
E chuva
Seu nome clareia no alto do meu céu
Como o sol
Aparecendo depois de semanas
De chumbo
E chuva
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Sobre o bolsa-família:
Existem muitas críticas
ao programa bolsa-família, mas eu acredito muito nele e quero
explicar a razão. Antes de tudo, deixa dizer de qual lugar eu falo:
sou professora de escolas públicas. Há dez anos que trabalho
exclusivamente em escolas públicas, para as quais entrei via
concurso público. Por causa disso, convivo e já convivi com
diversas famílias em situação de risco, daquele tipo que sobrevive
ameaçada por pobreza extrema, por violência, por falta de moradia
digna, por dificuldades de acesso a tratamento de saúde, etc. Já
tive bastante problema com os filhos dessas famílias, problemas de
toda ordem: meninos e meninas que sofrem muito e que fazem a gente
sofrer com eles. Já vi crianças desmaiando de fome porque iam para
a escola sem tomar café da manhã e sem almoçar, já vi
adolescentes se perdendo no mundo das drogas e da prostituição, já
vi meninos de 12 anos trabalhando para sustentar os irmãos mais
novos, já vi crianças que por todos os abusos sofridos não sabiam
fazer outra coisa que não fosse abusar dos outros... Mas também
conheço histórias de superação que merecem ser contadas.
Tenho na minha memória a
história de uma família de nordestinos. Pessoas que migraram de seu
estado porque acreditavam que aqui em Goiás teriam mais
oportunidades. No entanto, ao chegarem aqui se depararam com
dificuldades, se não piores muito semelhantes àquelas que
enfrentavam no seu lugar de origem. Eu os visitei onde moravam: um
barraco feito de restos de mdf e lona ao lado do cemitério parque. A
mãe era diarista e o pai catador de lixo e eu os conheci porque os
filhos foram matriculados na minha escola.
Não posso contar muito
do dia a dia dessa família, mas posso contar de dois momentos
apenas: o dia em que o pai foi matricular os filhos na escola e o dia
em que foi buscar a transferência. No primeiro momento nos
impressionou a todos como aquele catador de lixo era muito mais
esclarecido que muitos pais de renda maior do que a dele. Ele dava
muita importância aos estudos dos filhos, à leitura de bons livros,
e demonstrava um respeito à instituição escolar que talvez pessoas
de classe média não conseguiriam entender. No segundo momento, nós
nos despedimos daquela família muito tristes por não mais conviver
com eles, mas extremamente felizes porque eles tinham conseguido o
que vieram buscar em Goiânia: dignidade.
Por muito tempo eles
receberam o bolsa-família, e agora estavam indo para uma casa de
verdade que conseguiram comprar pelo Minha Casa, Minha vida. O filho
mais velho havia terminado o ensino médio e já trabalhava de
carteira assinada, a filha do meio terminou também os estudos a
pouco tempo, entrou numa faculdade privada e está pagando as
mensalidades com ajuda do prouni e a mais nova tem a expectativa de,
assim que terminar o 3º ano, conseguir entrar numa universidade
pública, através do sistema de cotas, pois sempre estudou em
escolas públicas.
O pai estava muito feliz
quando veio se despedir de nós. Fez questão de agradecer a todos os
professores que pode encontrar naquele dia. Segundo ele, foi naquela
escola que começou uma revolução na vida da família dele. A
família saiu de uma pobreza extrema para um nível de remediados. E,
em breve, devido ao aumento de escolaridade das filhas, eles
provavelmente vão atingir o nível de “classe média”. Os filhos
não vão precisar de bolsa-família, com certeza, e não vão passar
pelas mesmas dificuldades que os pais.
Para mim, essa é a
função do bolsa-família: ajudar famílias como esta e outras a
encontrarem um caminho para ascensão. Sair da pobreza extrema e
atingir um nível em que não precisem mais de receber ajuda do
governo. É claro que existem falhas no programa e é claro que deve
sempre haver fiscalização e reformulações quando estas forem
necessárias. Mas demonizar um programa como este, que está ajudando
tanta gente a ser gente, para mim é sinal de que este país tem
muito mais problemas do que conseguimos imaginar...
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
sábado, 22 de dezembro de 2012
Conto de não fadas
Era uma vez uma menina loira e de olhos claros cor de mel. Ela mesma se achava linda e sempre que podia tirava fotos com o seu celular e postava em várias redes sociais. Queria ser vista pelos outros. Tanta beleza não podia estar só entre os familiares e os amigos da escola e do trabalho. Era preciso que o mundo a notasse.
Pobre garota loira. Todos sempre se chegavam a ela por sua beleza. Queriam estar próximos dela porque ela era bela. Mas ninguém suportava sua imensa mania de grandeza. A loira era como tudo mundo, contudo se achava uma princesa. Ninguém estava a sua altura. Eram todos inferiores.
Então, as garotas mais feias, de cabelos escuros e olhos comuns e castanhos começaram a se casar e ter filhos. E ter os problemas normais da vida e ser ora felizes ora tristes. As garotas mais feias estavam vivendo.
A loira linda estava apenas observando a vida passar... E se sentia ainda mais feliz porque não tinha varizes, nem celulites e nem estrias. Pois afinal não tinha se casado, nem engordado e nem tido filhos.
A moça loira começou a se sentir excluída das conversas das outras moças, afinal não sabia do que estavam falando as mães, as esposas, as trabalhadoras desse mundo. A lindíssima flutuava sobre o mundo porque não queria se poluir com o que era normal.
Uma vez que essa loira magnífica não pertencia ao mundo, ela não se contentava com ele e nem ele se contentava com ela. Por isso eles se evitavam e ela preferia a solidão de seu quarto.
Um dia por acaso ao se olhar no espelho para mais uma vez escovar sua maravilhosa cabeleira, a moça se achou velha. As rugas haviam invadido a face perfeita e a transformado numa senhora.
Uma senhora que passou pela vida sem nunca tocar no solo ou no coração de outra pessoa.
A loira não suportou tanta vida que não viveu antes de ficar velha.
Ela quebrou o espelho. E com os cacos cortou a bela cabeleira.
E saiu de sua bolha e foi pela primeira vez tomar um sol na praça e gargalhar com os homens que há muito esperavam do lado de fora por ela.
Pobre garota loira. Todos sempre se chegavam a ela por sua beleza. Queriam estar próximos dela porque ela era bela. Mas ninguém suportava sua imensa mania de grandeza. A loira era como tudo mundo, contudo se achava uma princesa. Ninguém estava a sua altura. Eram todos inferiores.
Então, as garotas mais feias, de cabelos escuros e olhos comuns e castanhos começaram a se casar e ter filhos. E ter os problemas normais da vida e ser ora felizes ora tristes. As garotas mais feias estavam vivendo.
A loira linda estava apenas observando a vida passar... E se sentia ainda mais feliz porque não tinha varizes, nem celulites e nem estrias. Pois afinal não tinha se casado, nem engordado e nem tido filhos.
A moça loira começou a se sentir excluída das conversas das outras moças, afinal não sabia do que estavam falando as mães, as esposas, as trabalhadoras desse mundo. A lindíssima flutuava sobre o mundo porque não queria se poluir com o que era normal.
Uma vez que essa loira magnífica não pertencia ao mundo, ela não se contentava com ele e nem ele se contentava com ela. Por isso eles se evitavam e ela preferia a solidão de seu quarto.
Um dia por acaso ao se olhar no espelho para mais uma vez escovar sua maravilhosa cabeleira, a moça se achou velha. As rugas haviam invadido a face perfeita e a transformado numa senhora.
Uma senhora que passou pela vida sem nunca tocar no solo ou no coração de outra pessoa.
A loira não suportou tanta vida que não viveu antes de ficar velha.
Ela quebrou o espelho. E com os cacos cortou a bela cabeleira.
E saiu de sua bolha e foi pela primeira vez tomar um sol na praça e gargalhar com os homens que há muito esperavam do lado de fora por ela.
domingo, 9 de dezembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Pensando ainda na transitoriedade da vida, chego a conclusão de que não se pode adiar a felicidade. Não adianta esperar para ser feliz depois de terminar a faculdade, quando conseguir aquele emprego, ou quando estiver ganhando 10 mil reais por mês. A vida está acontecendo agora. E é no agora que devemos viver. O amanhã nunca se sabe. Pode ser que o amanhã não chegue para alguns de nós, pode ser que ele traga muitas tristezas... Então é hoje o dia. Vamos nos entregar para esse dia especialmente. Vamos ser felizes aqui e agora, porque o amanhã é incerto demais.
domingo, 18 de novembro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
A vida segue seu curso
A vida segue seu curso. Ininterruptamente. É como um rio cujas águas não param por causa dos obstáculos, fazem curvas. Nem as quedas impedem a jornada. Ao contrário, tornam-na mais bonita. São as cachoeiras mais altas as que mais nos encantam. E o fim sempre chega. Não é preciso ver o mar para nele crer. Basta ver as águas que correm naquela direção.
Os rios seguem seu curso. E o destino de todos é o mesmo. O mar na sua beleza infinita, onde todos serão um. Um único e imenso Todo.
Nós também seguimos nosso caminho. E o nosso caminho nos leva a Deus. E em Deus, na sua beleza infinita, todos seremos um.
Nada impede nossa união com o Todo. É para isso que fomos feitos. A vida segue seu curso.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Frase II
... porque o sol depois da chuva limpa os olhos
e nos arrasta para o silêncio barulhento
das aves
e nos arrasta para o silêncio barulhento
das aves
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