Somente há Deus no abismo de mim?
O Deus que não há
Abismado em mim
Ao me olhar, ar...
Um vazio profundo, portanto, se estiver procurando algo, pule para o próximo blog.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Violeta
Pingavam violetas de seus olhos chorosos...
"O amor de um Deus
É tantas vezes
Cruel!"
A vitela pasta pelos campos
E chora.
Quem viu a Viola? Quem viu?
Quem viu a Violeta?
Viu dores de amor correspondido...
Tocar solitária o solo,
Um corpo que não te pertence:
Ao medo da eterna destruição,
À falta de amor divino.
As flores que surgem das lágrimas,
Miudezas azuis,
Lembranças das riquezas de outra vida...
"Meu Deus, meu Deus
Por que me abandonaste?" _ grita ela para o céu fechado.
Vitela de Deus posta em sacrifício, pasta e chora.
Chora violetas tristes
Azuis arroxeadas.
"O amor de um Deus
É tantas vezes
Cruel!"
A vitela pasta pelos campos
E chora.
Quem viu a Viola? Quem viu?
Quem viu a Violeta?
Viu dores de amor correspondido...
Tocar solitária o solo,
Um corpo que não te pertence:
Ao medo da eterna destruição,
À falta de amor divino.
As flores que surgem das lágrimas,
Miudezas azuis,
Lembranças das riquezas de outra vida...
"Meu Deus, meu Deus
Por que me abandonaste?" _ grita ela para o céu fechado.
Vitela de Deus posta em sacrifício, pasta e chora.
Chora violetas tristes
Azuis arroxeadas.
sábado, 19 de janeiro de 2019
Chuva de Ouro
O desespero é amarelo
E escorre em cachos pelos ramos
Um corpo suspenso
No ar quente
Me observa a calçada angustiada
Suspirando de desalento, de desencanto
"Ah, quanta ilusão há no mundo!"
A tarde arde de calor e cor
Há no ar um resto de dourado
A vontade do grito, imóvel
Asco de mim
Anseio pelo vômito
Regurgito flores amarelas
Nos caminhos que ele passa
E escorre em cachos pelos ramos
Um corpo suspenso
No ar quente
Me observa a calçada angustiada
Suspirando de desalento, de desencanto
"Ah, quanta ilusão há no mundo!"
A tarde arde de calor e cor
Há no ar um resto de dourado
A vontade do grito, imóvel
Asco de mim
Anseio pelo vômito
Regurgito flores amarelas
Nos caminhos que ele passa
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Lembrança gostosa
Tem hora que pulam umas memórias na
cabeça da gente de coisas e pessoas que há muitos anos nem pensava mais. Ontem,
fui deitar no horário de sempre depois de ter feito as mesmas coisas de sempre,
mas foi só botar a cabeça no travesseiro que apareceu um rapaz na minha cabeça
de quem não lembrava há séculos.
Esse moço, que nunca mais vi,
trabalhava comigo numa escola municipal de Goiânia. Não lembro o nome dele, mas
vou chamá-lo de Hugo. Hugo era professor de biologia, fazia mestrado na época e
era uma figura bem alternativa. Sempre usava camisetas de estampa indiana,
calças diferentes e chinelos, sandálias, nunca tênis ou sapatos fechados. Os
cabelos estavam raspados em quase toda a cabeça, exceto na nuca, na qual havia
uma mexa mais longa. Usava uma barbicha comprida também. A voz era rouca, com
um sorrisinho sacana sempre nos lábios, altura mediana, Hugo chamava atenção de
todos os jeitos, tanto pela extravagância quanto pela beleza mesmo.
Ele fazia o gênero descolado,
engraçado, mas também era inteligente e sedutor quando queria. Nós éramos os
professores mais jovens do turno noturno naquela escola. Nos aproximaríamos de
qualquer jeito, não só por esse motivo, mas pela própria dinâmica do ambiente
ali. Tínhamos poucas salas de aula e cumpríamos 30 horas semanais de trabalho.
A quantidade de aulas era pouca, por isso passávamos a maior parte do tempo na
sala dos professores em atividades de planejamento e estudo. Hugo geralmente se
sentava ao meu lado.
Ele conseguiu me convencer a fazer
algumas traduções para ajudá-lo nas pesquisas do mestrado e se sentava junto
comigo para ir acompanhando o meu trabalho, pois eu sempre precisava de ajuda
em relação a termos muito técnicos. Logo, as segundas intenções dele ficaram
bem claras...
Hugo não só se sentava ao meu lado, a
perna dele se sentava colada na minha e os pezinhos do sujeito iam parar em
cima dos meus. Confesso que apesar de achar tudo isso meio estranho, ficava bem
chameguenta ali com ele encostadinho e de pezinho dado comigo debaixo da mesa.
Ai, como eu queria que a gente não estivesse no ambiente de trabalho!
Era divertido! Bem divertido mesmo! A
gente ficava ali brincando com o fogo dentro da gente, a mesa pouco escondendo os
desejos que surgiam da cintura pra baixo e da cintura pra cima a cara de
paisagem no trabalho sério de traduzir textos técnicos que descreviam como
analisar a qualidade da água. E eu me derretendo de vontade de beijar o
professor, mestrando de biologia, bicho grilo esquisitão...
O dia mais sério foi o de uma
apresentação, não lembro de qual data comemorativa, os alunos fizeram um teatro
ou coisa assim e os professores foram assistir, e o tal Hugo ficou em pé bem
próximo de mim... Eu queria tanto me abraçar com ele e não podia que quase
perdi as forças das pernas. Acho que ele sentiu algo parecido, porque me chamou
pra sair, ir num show que estava acontecendo num bairro próximo. Nós dois sabíamos que
se saíssemos dali juntos não haveria volta.
E eu respondi que não. Não podia. Por
que eu fiz isso? Hugo era noivo. Falava da noiva com frequência. Todos sabiam
desse noivado. E eu tinha um rolo. Um outro professor de outra escola que eu
trabalhava. Nessa época, estava bem ferrenha num código de ética recém criado
por mim: não ficar com dois homens ao mesmo tempo. Achava que assim não tinha
perigo de me machucar demais.
Ainda dá tempo de se arrepender? O que
teria acontecido se eu tivesse dito sim? O desejo que aquele homem me provocou,
nunca outro fez igual. Era um desejo derretido de lava quente, mas também era
engraçado e divertido, por causa da pouca seriedade e da total impossibilidade
de levar isso pra frente.
Pouco tempo depois o contrato do Hugo
acabou e ele foi substituído por uma moça, professora de biologia, uma gaúcha hilária. A tentação
foi-se embora. E só ficou essa lembrança gostosa de ter sentido uma paixonite
bem aguda, porém sem grandes consequências. Sobrou também aqui uma saudade danada de dar o pé
pra alguém por debaixo da mesa...
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Abelha em flor
A abelha penetra
Na miudeza amarela
Da flor
Aos zumbidos
Cora
A flor intumescida
Suspende a saia
As pétalas estremecidas
Ao vento
Ah! Há
O amor na flor
Que chora e cai
Cai e cai
E frutifica
sábado, 22 de dezembro de 2018
Carta de Natal
Querid@s,
Está chegando a véspera de natal e eu juro que gostaria de estar escrevendo uma mensagem
otimista de votos de boas festas, paz e amor... Mas não é o caso.
Estamos
vindo de anos ruins desde 2014, é verdade. Entretanto, não consigo prever os
problemas que enfrentaremos nos anos que virão. 2019 é um ano que ainda não consegui imaginar,
porque: como podem ocorrer coisas piores que as já acontecidas?
A
eleição turbulenta da presidenta Dilma, seguida de um impedimento de seu
governo em 2016, por motivos ridículos, que todos sabemos que foi um tremendo
golpe da direita com a intenção de retomar o poder. Mesmo reconhecendo todos os
erros cometidos pelo seu governo, a injustiça deste ato foi tremenda com ela. Foi
horrível! Uma coisa que não podíamos ter admitido...
Estes
anos de governo Temer com seus inúmeros ataques aos direitos dos trabalhadores...
que anos infelizes! Anos em que a educação e a saúde estão começando, só
começando, a sofrer com a falta de investimento. Tudo impossível de engolir!
Cortar gastos na pele do povo e defender os ricos empresários e latifundiários
deste país, é modo de governo que foi acionado em 2016... É o que queremos
mesmo?
A
prisão de Lula este ano... Não sejamos ingênuas pessoas que acreditam na mídia
piamente, que acreditam em juizinhos ridículos cheios de interesses escusos,
líderes de lavajatos que limpam só um lado do carro. Lula foi preso para não se
eleger presidente novamente. É outro caso de injustiça, ou de justiça
interessada, se podemos usar assim as palavras.
Acabaram
com o PT, fato. Mas, por qual motivo? Se o objetivo era acabar com a corrupção,
não funcionou. A corrupção continua na ativa firme e forte e intrínseca nas
nossas instituições públicas e privadas. O que fazer? Não sei. Mas demonizar e
perseguir um único partido político foi só uma falácia criada para nos enganar.
Aliás, funcionou bem essa falácia. Tanto que os pobres que alçaram seus
primeiros vôos consumidores nos governos petistas esqueceram tudo e começaram a
repetir sem parar “tudo culpa do PT”... Loucos. Tolos. Bobos. Papagaios
propagadores de fake news.
Agora
chego no pior de tudo: esse fenômeno chamado Bolsonaro. Nosso presidente
eleito, prestes a assumir o poder... Gente, que medo! No dia do segundo turno
tive dor de barriga, ansiedade e etc. Sabia que isso ia acontecer, mas estava
tentando me enganar. Nosso futuro presidente da república é simplesmente a
coisa mais horrível que poderia ter acontecido ao Brasil: não é só a
ultradireita no poder, é a ignorância, a violência, o racismo, o machismo, a
homofobia firmes e fortes e altamente legitimados. Todas essas coisas horrendas
ganharam uma eleição presidencial!!!
A
cara do Brasil nunca poderia ter sido mais feia.
Voltando
então a minha mensagem de natal e ano novo: impossível desejar paz e amor,
amig@s!
O
que eu desejo de fato para tod@s nós é força: precisamos disso para as batalhas
que virão! Vamos nos defender dos ataques aos nossos direitos! Eu nos conclamo
à luta por nós trabalhador@s da cidade e do campo, pelas nossas escolas e
universidades, pela saúde pública, pelos direitos humanos, pelos índios, pelos
quilombolas, pelos lgbtts, pelo meio
ambiente e por cada um de nós! Por cada uma de nós!
Nós
de fato precisamos umas das outras, uns dos outros. O que enfrentaremos é
assustador... mas ainda existe em algum lugar a esperança de dias melhores. E
quem fará os dias melhores somos nós, na nossa luta diária de cada dia, e na
força que encontraremos de mãos dadas. O bordãozinho clichê que surgiu no fim
do período eleitoral, sim: ninguém solta a mão de ninguém.
Só
isso.
Festejem,
mas não esqueçam: a luta continua, companheir@s!
Fabiana
Lula
domingo, 14 de outubro de 2018
Adeus para nunca mais
"É preciso aprender a dizer
em silêncio
Adeus...
Até nunca mais"
Por favor,
me diga: "quando é nunca mais?"
Te espero na terra do nunca mais
Onde todos somos como crianças
mortalmente
feridas
Adeus
Nunca
Mais
(cada dia passado como gado ruminando sonhos)
em silêncio
Adeus...
Até nunca mais"
Por favor,
me diga: "quando é nunca mais?"
Te espero na terra do nunca mais
Onde todos somos como crianças
mortalmente
feridas
Adeus
Nunca
Mais
(cada dia passado como gado ruminando sonhos)
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Poesia solar
O sol
Tão quente
Tão tarde quente
Tão cheia de poesia quente
Que sobe no ar
Feito nuvem
De fumaça de fogo
Entorpecente
Tão sol quente
Sonho
Era num barco assim que estávamos... eu, os gêmeos, a mãe deles. Era um índia, eu sabia. Muito pequena e mirrada, mãe de duas crianças. O barco era branco com azul. Tudo era muito claro. O clarão de repente tomou conta de tudo. Consumiu as crianças, a mãe e o barco.
Aos poucos o clarão diminuiu e o mundo tomou outra forma... escureceu... ficou meio marrom. Ele veio até mim, meio nebuloso, uma penumbra envolvia tudo, e me entregou um coelho pequeno e marrom.
E eu soube que era dia de esperar, de esperança, dias de vir criança ao mundo. Ela está vindo. E é um menino.
Aos poucos o clarão diminuiu e o mundo tomou outra forma... escureceu... ficou meio marrom. Ele veio até mim, meio nebuloso, uma penumbra envolvia tudo, e me entregou um coelho pequeno e marrom.
E eu soube que era dia de esperar, de esperança, dias de vir criança ao mundo. Ela está vindo. E é um menino.
Não
Era uma noite escura
O movimento dos olhos
Ondeando
Nuvens
Ao meu lado
Ao alcance de um leve toque
Um suspiro
de não poder
Por que não eu?
Porque não...
Porque não.
Um NÃO se expande pelo universo
Uma noite escura sem estrelas
A desesperança
Assume seu posto
E diz não
Não
Não
Não
O movimento dos olhos
Ondeando
Nuvens
Ao meu lado
Ao alcance de um leve toque
Um suspiro
de não poder
Por que não eu?
Porque não...
Porque não.
Um NÃO se expande pelo universo
Uma noite escura sem estrelas
A desesperança
Assume seu posto
E diz não
Não
Não
Não
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