quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Quero morrer II

há tudo
falta
sentido

há nada
no fim
de tudo

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mediocridade

assumo minha mediocridade
todos estes escritos
são de baixa qualidade

nesta obra a excelência
é só do meio elétrico
que permite esta excrescência

mas que pelo menos seja
uma pequena diversão
para aquela que almeja

uma forma de expressão
muito pouco serena
de desesperada solidão

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Poesia

turbulência
ordinária
que escorre
do pensar
percorre
o corpo
incita à
violência
do gozo
desaforado
do perder-se
no desconhecido
imutável
amor

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O amor embeleza tudo

para biju

Que me importa o que os outros dizem?

Meu amor é a coisa mais linda que existe.

Todos preferem a beleza padrão da raça?

Eu te prefiro assim: modelo único, exclusivamente meu.

Todos querem amor banhado, perfumado e tosado?

Eu te quero meu animal selvagem.

Que me importa se teus pelos crescem em direções opostas?

Se tu me olhas de teu lugar misto,

Que sejam tuas cores diferentes das minhas!

Só me importa que tu sejas essa luz que brilha nos meus olhos.

Só me importa que tu sejas minha joia preciosa,

meu diamante raro, porque negro,

meu esplendoroso

ardido

amor...

sábado, 12 de setembro de 2009

Belo

mais belo
que tudo
é o nada
o nada
que é belo
o belo
que é nada
e é tudo
que tenho

Pela estrada afora...

... vou me desmanchando
(sei o motivo não)
... vou me derretendo
(sei se é calor não)
... vou me desfazendo
(sei se é amor não)
... vou desaparecendo
(sei se é dor não)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Gira-sol


Há no centro
do meu ventre
um sol florido
que gira e pulsa
e esquenta
raios que vão
do coração
à mente
do oriente
ao ocidente
do ser sereno
que não sou

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Orquídea


Úmida flor
Fonte única
Do amor
Oferecida
Desabrochada
Ao gozo

Do olhar

A floração da jabuticabeira


Ninguém o boom escutou
Mas aconteceu a explosão
Branqueou em flor o chão
E o ar em ondas se perfumou

Na casa, a cozinha trabalha
A chaminé cospe fumaça
Do pão que a mão amassa
Tudo recende vida e batalha

Soa e ressoa por todo lado
O calor e o crepitar de madeira
No fogão caipira atarefado

As vozes alegres serpenteiam
No caule florido da jabuticabeira
Onde mistérios seculares passeiam

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Retrato

Branca e esquálida sorrio
de dentro de um quadro
pendurada numa parede
de dentro de um quarto
sem janelas
sem luz
sem ar
sem (res)pirar
sorrio de dentro do dentro
de um eu que passou por mim
que passando por dentro de mim
não existe mais
nem branco
nem esquálido
nem eu
nem ninguém
sem luz e sem ar

res-
piro de novo só
rio de novo de dentro
de um retr-
ato de vi-
da que
se
foi