segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sem título

olho para trás
na esperança
de o ver
e vejo
a cor azul
dos teus cabelos
e zelo por ti
mais um instante
e corro para ti
sempre chamas
chamas altas
labaredas de amor
que me queimam
que te queimam
olho para trás
na esperança
de o ver e vejo
meus cabelos
cada vez mais brancos
anjos e asnos se riscando
se arriscando
somos anjos
ou somos asnos
asnos
vejo-nos quando olho
atrás dos nossos olhos
l'amour
os dois serenos
plácidos como vulcões
que explodem e berram
gemidos ora de dor
ora de dor de amor
que surge horas depois
numa nuca roxa
uma mancha na carne
duas manchas na alma
a calma que não se acalma
enquanto não sua
a lua nua que brilha
no belíssimo templo dedicado
aos deuses de amor
eterno eros
afrodite e sol
apolo ou dionísio
desengonçado dionísio
que se derrete diante de uma tola
companhia serena de meia vida
meia vida que não dura um átimo de segundo
e se vai se esvaindo como a água evaporando
sobre a calçada depois da chuva

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